O MEDO das organizações

Ao nos conectarmos à atmosfera das organizações que sobreviveram até aqui é inevitável perceber uma coleção de sentimentos que outrora poderia passar despercebida. 

Nosso cérebro é dotado das mais fantásticas funções e, talvez a mais vital delas, seja a autopreservação.

Fruto de um processo puramente instintivo, a autopreservação ocorre a partir de um disparo de alerta para o corpo,  que geralmente é motivado pela dor e sofrimento e tem como produto o medo que, por sua vez, mantém o estado de alerta latente para evitar a repetição de eventos da mesma natureza. 

É comum a nós, seres humanos, a incessante busca pela remediação seguida da prevenção de problemas que, diretamente ou não, nós mesmos causamos.  Uma forma de manter essa roda girando é tendo visibilidade do cenário, registrando claramente os pontos críticos, com mais e mais precisão, a partir de padrões e registros históricos. A isso chamamos de “análise e prevenção de riscos”.

Muito embora já tivéssemos visto historicamente algumas relevantes crises sanitárias, a grande maioria de nós jamais conseguiria antever o que estamos passando. Contando que o macro reflete o micro, a pandemia alterou drasticamente uma parte significativa de cenários particulares.

Pessoas que tinham medo da morte tiveram que lidar com ela de forma vulgarmente íntima, o suficiente para, no mínimo, incomodar.  A privação de contato social perturbou em diferentes níveis àqueles que não contavam com a possibilidade de desfrutar da própria companhia. Incontáveis desmantelamentos de planos, sonhos e expectativas.

O MEDO NAS ORGANIZAÇÕES

Uma desconstrução com peso de desabamento, para os mais desavisados.  Para alguns indivíduos só restou imaculada a identidade impressa no crachá. O macro imita o micro. Organizações por sua vez são, nada menos, que a coletânea desses cenários particulares caóticos, tentando reagir a um macro cenário econômico insensato, de perspectivas em tom pastel.

O medo, objeto óbvio desse processo, tem  o valoroso poder de paralisar, congelar esses cenários, de modo a minimamente adiar a ordem que se origina do Caos.

Compreender e honrar essa natureza cerebral instintiva e primitiva é um ato inteligente. Porém, o mais virtuoso é contemplar  áreas mais modernas desse aparelho mental.  O momento pede que o Córtex lidere o jogo, desenvolvendo a emoção e as múltiplas inteligências.

Nas organizações, é chegada a hora de  viver  a cultura da impermanência, incentivar no indivíduo o olhar para a verdade da efemeridade que, como todas as coisas que há no mundo, possui em si infinitas oportunidades. 

Sedimentando o medo e seus companheiros conseguimos driblar a inércia e reerguer um  novo cenário que já nascerá calçado na impermanência.

Essa travessia será possível a quem tiver afim de saber (e entender) a verdadeira verdade.


* A Thaís, parceira da equipe #CHAOSJourney, é especialista em Gestão Estratégica de Pessoas, Designer, Trainer, Coach (Personal, Professional, Executive e Spiritual), Mentora, Palestrante, Auditora de Sistemas de Gestão, Consultora de Treinamentos Técnicos e Comportamentais, Voluntária. Mãe da Alícia (10), do Davi (7) e do Miguel (1). Buscadora incansável do autoconhecimento, engajada em causas ambientais e de resgate à essência. Entusiasta do CAOS e da transformação digital. Atua há mais de 18 anos Focada no Engajamento de Gente, através de estratégias de Gestão baseadas em Cultura Organizacional, Qualidade, Desenvolvimento Humano e Segurança & Saúde.

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